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20 setembro 2014

Reverence Valada Review - Psico-cenas e muito Rock (parte 1)



Ora bem! Chegou a altura de fazer a minha review do tão aclamado festival Reverence em Valada...e preparem-se meus amigos porque quem não esteve presente vai continuar a "chorar" mais um pouco ao ler estas palavras. 

Então foi assim...

O primeiro dia de concertos foi 5ª feira com a recepção aos campistas mas destes aqui não me posso pronunciar, já era tarde quando cheguei e a única coisa que ouvi foi um som bastante promissor, bem pesado e arrastado acompanhado de uma voz bem feminina cantada por uma pessoa bem masculina...do que ouvi de fundo pareceu um pouco esquisito mas não me posso pronunciar muito sobre o assunto...pela minha brochura sei que eram os Mars Red Sky que tocavam. 

A primeira dificuldade que tive neste festival, e daí o primeiro ponto negativo a dar ao Reverence, foi a de tentar montar o dormitório. Um dos pontos as ser melhorado na próxima edição é a iluminação da zona de campismo e dos seus respectivos sanitários...reforçando aqui a parte sanitária que tanto na zona de campismo como no recinto não tinham iluminação...e vamos ser sinceros, não é nada agradável ir fazer as necessidades fisiológicas em pleno breu neste tipo de instalações, e vendo do ponto de vista feminino ainda pior...o aroma é o único indicio de que não se pode tocar em sitio algum...isto aliado ao factor equilibrismo e pontaria ao buraco...pronto acho que ficam com uma ideia...

Agora a parte que conta...! 1º dia de maratona Reverence!

O acordar numa tenda num sitio magnifico, com sombras suficientes para dormir até um pouco mais tarde, ao som de ensaios de som e de pessoas que vieram de vários cantos do planeta todos com o mesmo objectivo e expectativas, é algo bastante recompensador, principalmente quando sabes que aqui todos estão para o mesmo...a música! Este ritual de relaxamento e preguiça que envolve o ir buscar a pulseira, tomar o pequeno almoço ao café com a casa de banho mais limpa (que por acaso era logo o primeiro da zona...um bem haja ao casal que ali ficou sem descanso durante 4 dias inteirinhos sempre com boa disposição e muito trabalho), foi rapidamente quebrado com os primeiros acordes dos Cave Story ao meio dia no palco Rio....surgiu logo aquela urgência de ir ver os concertos... (sim porque eu ainda tinha ilusões de acompanhar o festival por inteiro).

Cave Story

Consegui apanhar ainda a última música "Crystal Surf" desta banda promissora das Caldas da Rainha, para mim a melhor música destes rapazes. Como esperado, não havia grande audiência...mas atenção que não era ausente! 

Ainda não haviam acabado os Cave Story quando no palco Sabotage surgiram os primeiros sons dos Black Leather, um projecto que já esperava ver ao vivo há algum tempo...

Black Leather

...e vou continuar à espera porque aquilo que eu vi e ouvi neste palco não foi nada bom...o som do PA estava péssimo e eu só aguentei uma musica porque os meus tímpanos estavam a sofrer, não sei bem se este factor técnico influenciou a prestação dos músicos (afecta sempre um bocadinho) mas a baixista precisava de um choque qualquer para ver se acordava...precisas de vida e feeling a tocar mulher!

Foi nesta altura que resolvi abandonar as minhas ilusões de acompanhar o festival por inteiro...nada como ter o sol a queimar a pele e a fritar a cabeça para desistir de acompanhar as bandas seguintes..lá fui para me aprontar melhor...um banho refrescante, protector solar e um chapéu na cabeça..e já agora encher o bucho para aguentar o resto da tarde. Quando me despachei já tinha acabado, com muita pena minha, o concerto de Killimanjaro.

Deparei-me com Francois Sky & Guests e o que tenho a dizer é que não gostei nada, um improviso bastante aborrecido que não ia a lado nenhum...não me fiz velha até porque os Born a Lion iam subir ao palco e esses sim valia a pena ver.


Born a Lion

Os Born a Lion mostraram o poder sonoro do seu rock puro e duro mesmo havendo os tais problemas técnicos do PA (que continuariam a persistir ao longo do festival). Os rifs poderosos aliam-se ao baixo e à bateria potente que o Rodrigo domina ao mesmo tempo que canta. O rock não é para meninos e eles têm todo o gosto em mostra-lo...e bem!

O tempo foi um factor que eu senti bastante neste concerto, a pressão da produção sentia-se ao longo do concerto. A tentativa de manter os horários dentro do previsto foi constante o que até resultou no inicio deste primeiro dia, apesar de achar que isto afectou a prestação de algumas bandas...aquela expressão "é virar frangos" aplica-se bem aqui.

Enquanto, descontraidamente, me aproximava de novo do palco Rio a minha reacção foi "helá! o que é isto? Bora!" e eram The Asteroid 4...escusado será dizer que fiquei super arrependida de ter ficado na conversa com alguns amigos porque estava a ser bem bom. Óptimo som e boa prestação dos músicos...feedback bastante positivo de quem viu o concerto por inteiro, uma banda para descobrir e conhecer melhor.


The Asteroid 4

Depois dos Asteroid 4 fiz mais uma pausa de descanso e deambulei um pouco pelo recinto para descobrir a Feira das Almas que disponibilizava todo um rol de objectos desde roupa, acessórios, discos, arte e outras coisas varias, a zona dos comes, descanso e Merchandise. Belo local este escolhido para o Reverence!





De volta aos concertos, apanhei os Sunflare que tocam um rock mais para o progressivo e noisy. Apesar de terem bastante pica a tocar, o som progressivo pode-se tornar um pouco fatídico, principalmente depois dos dois concertos que tinha visto anteriormente. É um projecto para ouvir melhor. Logo de seguida os meus sentidos voltaram a estar em sentido com os Sleepy Sun.

Sunflare
Sleepy Sun

Os Sleepy Sun foram uma boa surpresa, um momento de descontração entre a assistência que curtia a musica sentada confortavelmente em frente ao palco. Estes rapazes de São Francisco produzem um rock psicadélico descontraído e cool com um som de guitarra fantástico. Talvez tenha sido o melhor concerto desta 1ª tarde do Reverence.



O último concerto que parcialmente vi nesta tarde foi o de Ringo Deathstarr com uma baixista a ensinar à outra (do inicio do texto) como é que a coisa se faz. Um excelente rock alternativo que este trio de Austin nos ofereceu.

Ringo Deathstarr
Os concertos do palco Reverence aproximavam-se e estava na hora de ir experimentar os morfes disponíveis no recinto. Ao nos depararmos com a fila enorme que aos poucos ia aumentado, houve a decisão de sair do recinto para comer alguma coisa...e de facto (apesar do incómodo constante da mosquitagem) compensou. Chegámos a tempo de ver ainda parte do concerto dos Swervedriver, mas afinal podíamos era ter relaxado um pouco mais porque este colectivo não só não impressionou como me aborreceu... a mim e a mais umas quantas centenas de pessoas que ali esperavam para levar com  bujardas musicais que provocassem uma qualquer reacção que não um simples bocejo e um olhar para o countdown do palco...e foi o que aconteceu com os Red Fang.

Red Fang
Por três vezes vi Red Fang e por três vezes não desiludiram. Esta foi a terceira e foi um descarregar de decibéis de "Stoner" Rock despretensioso e cheio de malhões poéticos, mas não de modo algum saturantes, que até despertaram os adeptos do crowdsurfing. O repertório vagueou por todos os seus trabalhos editados e foi, considerado por muitos, o melhor concerto da noite. No que toca à minha opinião...não sei se poderei dizer isso mas sem duvida que foi bem bom!

Graveyard

Os suecos Graveyard surgiram pouco depois e com o seu heavy rock psicotrópico que soube bem e me surpreendeu, não conhecia e gostei bastante da sua sonoridade. Foi um concerto cheio de boas vibrações, a voz do Joakim Nilsson soava muito bem e o som do palco estava óptimo. 

Electric Wizard

A minha apoteose sonora começou com os, mui por mim esperados, Electric Wizard. Um som arrasador e poderoso que só pecou pelo baixo volume que o PA oferecia (foi aqui que notei a pela primeira vez esta falha). Foi um delírio! Malhas como Dopethrone, Funerapolis (dois temas do indispensável álbum Dopethrone) e no fim de tudo Black Mass, dispararam aquele poder sonoro que eu  tanto desejava... Mas não fui a única, os Electric Wizard arrecadaram a maior audiência neste dia do festival...E os disparos constantes da Liz?? Oh my...that woman can rock your face off!! Estrangeirismos à parte (sim porque em tuga sairia algo como ... aquela gaja rocka nas horas, até bo**as a calcinha!) foi um concerto do camandro... Sim, eu sei que posso estar a ser um pouco efusiva, mas tenho de puxar a brasa à minha sardinha, eu sou louca pelos baixos poderosos e guitarras arrastadas do chamado doom/sluge/stoner cenas. 

Mas se acham que o delírio terminou com o concerto dos Electric Wizard estão enganados, logo a seguir vieram os Process of Guilt para dar continuação à minha apoteose sonora. 


Process of Guilt

Ok...convém avisar que eu adoro este colectivo eborense, os Process of Guilt são, na minha humilde opinião, uma das melhores bandas do underground obscuro (não só a nível nacional), têm um dos melhores álbuns dos últimos tempos (Faemin) e têm uma das melhores vozes existentes no universo metal. O som que viaja entre doom/sluge/pós cenas (vá pronto metal) arranca-nos as entranhas e alimenta-as de volta. É poderoso, frio e animalesco põe-nos no devido lugar de insignificancia. Dito isto o concerto foi (dentro da limitações sonoras do PA deste palco) intenso e magnético...quase hipnotisante, um concerto demasiado curto para a banda que é mas muito satisfatório.

White Hills

Depois disto os White Hills ficaram prejudicados, já só apanhei 2 musicas mas não foram muito satisfatórias, fugiram um pouco ao que eu estava à espera, entrando num psicadelismo mais improvisado. Não foi nada mau mas eu depois de estar no cimo da montanha..estatelei-me no chão. 
Foi aqui que dei parte fraca...o cansaço tomou conta de mim e pensei que se queria aguentar o próximo dia teria de abandonar a maratona Reverence, além disso o pico já tinha sido atingido...já nenhum concerto me iria puxar de novo para o topo...ou iria? 

...5 e pouco da manhã e POW!! Uma bujardona de som acorda-me e fico completamente taralhouca... "estás a ouvir isto?? Mas o que.....Fooo***ssse!" Não....não levantei o rabo para ir ver o que se passava, mas fiquei a desfrutar o som no aconchego do improvisado lar. Quem tocava eram The Cosmic Dead, os últimos do 1º dia da maratona Reverence...e foi uma experiência fantástica e tripalhoca.



Fotos © Inês Severino

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