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20 setembro 2014

Reverence Valada Review - Psico-cenas e muito Rock (parte 2)


© Inês Severino

Acordar ainda com os Cosmic Death na cabeça e pensar "mas o que raio se passou?" desorientou-me um bocado. Mas neste dia decidi que iria relaxar um pouco e deixar as pressas para trás, até porque queria aguentar até mais tarde para ver alguns dos concertos (ex: Moon Duo) na madrugada de domingo. E apesar de ter ido mais tarde para o recinto, os concertos também começaram todos com uma hora de atraso. Este atraso iria reflectir-se ao longo do dia provocando algumas confusões de horários e bandas entre os espectadores.


Sonic Jesus © Inês Severino

Sonic Jesus foi o primeiro concerto que vi e ainda bem! Estes italianos com um som descrito como neo-psicadélico com umas pinceladas de folk e umas nuances de shoegaze, foram uma lufada de som fresco logo para começar o dia. Quando entrei no recinto e ouvi a banda a tocar, fiquei logo com um sorriso na cara e relembrei que este dia iria ser um pouco diferente em termos sonoros. Recomendo vivamente a procura e audição deste interessante colectivo italiano!

A deslocação constante entre os palcos Rio e Sabotage foi largamente afectada pelo atraso deste dia, após os Sonic Jesus estava programado o começo dos Holy Wave mas infelizmente este concerto não se realizou. Os texanos Holy Wave ficaram retidos no aeroporto devido à greve que decorreu neste dia em Lisboa...A somar mais um atraso nos palcos. Entretanto a "super banda" Keep Razors Sharp subiu ao palco para nos presentear com um bom concerto, onde apresentaram uma sonoridade que deambula pelo psycho/pop/rock com musicas bem orelhudas. Esperemos então por esse álbum de estreia.


Keep Razors Sharp © Inês Severino

As duas bandas que tocaram de seguida Air Formation e Exit Calm não me despertaram o mínimo de atenção...o som era aborrecido e pouco interessante em ambas.
Interessantes foram os Mugstar que se apresentaram no palco Rio, despertaram-me logo a atenção com um som bastante sintético. Estes ingleses vão bebericar às sonoridades krautianas, espaciais e noise do rock mas não o fazem de uma forma demasiado complexa e só têm a ganhar com isso.

Mugstar © Inês Severino

Mais uma viagem pelo país do Reverence e estou de volta ao palco com o PA do inferno, e os senhores de quem falo a seguir têm bastantes razões de queixa. The Quartet of Woah! foi a banda, que vi neste palco, que mais sofreu com as dificuldades técnicas e também aquela que mais assistência juntou aqui durante as tardes. Deram um excelente concerto, a par dos problemas técnicos, cheio de energia que facilmente conquistou o público. É difícil descrever este concerto mas se ainda não conhecem este colectivo recomendo mesmo que vejam um dos seus concertos.


The Quartet of Woah! © Inês Severino

Quem desiludiu foram os Murdering Tripping Blues que, apesar de eu gostar muito do registo em álbum (principalmente o 1º) , têm vindo a apresentar concertos cada vez mais fracos. Não se sente um colectivo coeso e a musica fica muito a desejar. Desejo que o lançamento do novo e 3º álbum de originais deste colectivo traga algumas mudanças a nivel das apresentações ao vivo, com mais pica, empatia e humildade. 

Murdering Tripping Blues © Inês Severino

A Place to Bury Strangers foi o primeiro concerto do Palco Reverence neste dia e foi arrasador! Este concerto só teve um único problema...o som do PA parecia estar em baixo...apesar da força destruidora que foi apresentada em palco, com direito a uma guitarra destruída e um baixo tratado como arma de arremesso, e  esforços de Oliver Ackermann em mover os amplificadores para perto do público, tenho a sensação que o concerto ficou pela metade na sua força destruidora. O noise...os sons distorcidos...aquelas vozes profundas estavam todas lá, estavam a dar tudo por tudo e tudo a passar-se completamente naqueles devaneios sónicos, só posso adivinhar como teria sido se o PA tivesse com  power. Um dos concertos do dia!

A Place to Bury Strangers © Cristina Barreto

Dos Psychic TV só vi o fim, mas foi um belo fim de concerto. Adorei o sentimento que emanava do palco e as projecções de video faziam todo o sentido nesta banda que já se transformou mil e uma vezes. Projecções alucinantes foram as dos Hawkwind que claramente foram pensadas para esse efeito de modo a acompanhar o psicadelismo todo que os Hawkwind proporcionam, foi bom.

Psychic TV © Cristina Barreto

Avassalador foi o concerto dos Mão Morta que nos presentearam com um dos concertos mais pesado e negro de todo o festival. Devo confessar de que não estava à espera disso, já vi uns quantos concertos de Mão Morta ao longo da minha vida e posso dizer que este está no topo. O som das guitarras pesado e agressivo ficou gravado na pele e todo o realismo negro das letras de Adolfo confirmam que os Mão Morta continuam a ser a melhor banda portuguesa. Vénias longas e pronunciadas é o que eles merecem.

Mão Morta © Cristina Barreto

A estreia dos Black Angels em Portugal já era tardia, ou talvez não... Os Back Angels foram sem duvida merecedores do encerramento do palco Reverence, nem que seja por serem mentores de um dos festivais mais falados do mundo - Austin Psych Fest, e ofereceram-nos uma setlist que viajou entre todos os trabalhos por eles editados e, provavelmente, se não se tivessem a estrear por estas terras lusas isso não aconteceria. Foi Muito bom e poético mas acho que o cansaço acumulado e o concerto extremamente forte dos Mão Morta não me permitiram sentir tão intensamente a musica dos Black Angels.

The Black Angels © Cristina Barreto


Foi com eles que terminei a maratona Reverence...pelo meio cheguei à conclusão que o corpo já não aguenta como dantes e que o festival tinha demasiada areia para a minha camioneta, sinto-me melhor quando a maioria das pessoas me confirma que foi um exagero de concertos e que quase ninguém viu  tudo o que queria ter visto...ficaram os Moon Duo por ver, mas também já os tinha visto no Milhões de Festa, assim não me fiquei a sentir tão mal.

Espero que o Reverence tenha continuação no próximo ano e só me falta dar os parabéns ao Nick Allport e aos demais responsáveis pela existência deste maravilhoso festival, que haja mais cheio de boa musica e bom ambiente. Até para o ano Reverence!


© Inês Severino




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